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Sistema de inteligência artificial “imita” cérebro para otimizar produção e consumo de energia elétrica

11 agosto 2020
Self-Stacked Systems é a designação do novo sistema de inteligência artificial que está a ser desenvolvido por uma equipa de investigação do INEGI e do CINTESIS, da Universidade do Porto, e da Universidade de Harvard, e que se espera vir a ter um impacto significativo na maneira como produzimos, consumimos e distribuímos energia elétrica.  

Modular e desenhado de maneira a mimetizar o processo de desenvolvimento do cérebro humano, o sistema vai "desenvolver-se” para aumentar a eficiência, diminuir custos e reduzir a pegada ambiental no campo da gestão de eletricidade. 

"O setor elétrico é complexo – conta com múltiplas fontes de energia, com imprevisibilidade de produção elétrica, aumento de consumidores que também são produtores, entre outros fatores – e opera com muitas variáveis”, explica António Ramos, investigador do INEGI e do Laboratório Associado em Energia, Transportes e Aeronáutica (LAETA). "Desafios que vão para além do que as soluções de inteligência artificial que existem atualmente conseguem fazer, pois são pouco flexíveis e lentos a integrar nova informação”. 

A resposta a este problema? Espelhar a maneira como o cérebro humano trabalha. Inspirado nas leis do desenvolvimento cognitivo, este sistema prevê a acumulação de conhecimento de forma progressiva e por etapas, de modo a ser possível criar uma biblioteca de competências para resolver problemas complexos. Significa isto que "o treino da máquina e a sua utilização ocorre simultaneamente, ou seja, tal como os humanos, aprende ao mesmo tempo que toma decisões”. 

Sofia Ferreira Leite, investigadora do CINTESIS que também participa no projeto, acrescenta que "com esta arquitetura por blocos hierárquicos, vamos ensinar a máquina a refletir sobre si própria, avançar por estádios e a corrigir erros”. 

O projeto Self-Stacked Systems foi recentemente selecionado para integrar o HiTechOne, um programa de aceleração e desenvolvimento de negócio para projetos de investigação promissores. O objetivo é criar uma solução comercializável, conta António Ramos, pelo que os próximos passos passam por "arrancar com o desenvolvimento de casos piloto, e aumentar a nossa infraestrutura para conseguirmos estar a par das exigências do mercado. Para tal, já iniciamos contactos importantes para concretizar, dentro e fora de Portugal”.