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O Caminho das Empresas para a Economia Circular

18 dezembro 2023

Artigo de Pedro Paiva, consultor nas áreas de economia circular e sustentabilidade no INEGI


É cada vez mais evidente que o tradicional sistema linear «extração – produção – utilização – descarte» não é um uma opção viável para garantirmos o crescimento sustentável da economia e a preservação dos ecossistemas do nosso planeta.

A Economia Circular surge, assim, como – não uma alternativa – mas um imperativo. Tendo como base o padrão «extração – produção – utilização – reutilização», esta abordagem aporta uma série de benefícios significativos para as empresas, abrindo caminho a modelos de negócio mais resilientes.

Aposta na circularidade é aposta na competitividade

Entre estes benefícios está a redução de custos operacionais, uma vez que a reutilização de materiais e a diminuição do desperdício tem como resultado direto poupanças significativas de recursos e matérias-primas. De igual forma, a utilização mais eficiente de recursos possibilita que as empresas obtenham mais valor dos materiais e recursos que consomem.

O estímulo à inovação é outro benefício notável, o qual impulsiona o desenvolvimento de novos produtos e serviços e fomenta a criação de modelos de negócios inovadores. Além disso, a adoção da Economia Circular pode abrir portas para novos mercados, especialmente para empresas que oferecem soluções sustentáveis e criativas. 

A Economia Circular contribui ainda para a redução de riscos ao diminuir a dependência de recursos escassos e enfrentar regulamentações ambientais cada vez mais rigorosas.

COP28 - Resultados que alavancam a aposta na Economia Circular nas Empresas

Na 28ª cimeira do clima das Nações Unidas, a COP28, que se realizou durante praticamente toda a primeira quinzena de dezembro no Dubai, foi alcançado, um acordo histórico. Pela primeira vez, as negociações terminaram com um apelo explícito ao abandono dos combustíveis fósseis: acelerar a ação climática até 2030 e atingir a neutralidade carbónica até 2050.

Tendo um papel fundamental enquanto promotores de boas práticas na sociedade, as empresas serão mais uma vez cruciais para que estes objetivos se possam concretizar. O fim dos combustíveis fosseis obrigará estas a apostar em tecnologias mais limpas e eficientes, impulsionando a transição para fontes de energia renovável, mas também repensar todo o sistema de produção e consumo, com foco na maximização da vida útil dos recursos e materiais, que consequentemente reduzirá a necessidade de extrair novas matérias-primas, muitas vezes associadas à queima de combustíveis fósseis durante a extração, transporte e processamento.

Levanta-se então a questão: quais as etapas que uma empresa deve percorrer para incorporar boas práticas de circularidade no seu modelo de negócio?

Mudanças estruturais levam a maiores ganhos

O trabalho de consultoria que realizamos no INEGI envolve apresentar soluções próprias e personalizadas à realidade específica de cada empresa. Acreditamos que todas estas etapas devem ser alinhadas seguindo um modelo estruturado, após uma reflexão estratégica ao nível da administração, pela definição de um roadmap, priorizando ações que reflitam criticamente os impactos da sua implementação, traduzindo-se numa melhoria significativa da taxa de circularidade da empresa.

Este caminho abrange as seguintes fases:

  1. Diagnóstico e mapeamento de materiais, recursos e resíduos: Identificar e quantificar materiais e recursos utilizados, como estão a ser utilizados e qual é o seu fim de vida.
  2. Avaliação de produtos: Avaliar quais podem ser redesenhados e como, com o objetivo de serem enquadrados num modelo de Economia Circular. Por exemplo produtos que possam tornar-se mais duráveis, reutilizáveis ou recicláveis.
  3. Quantificação de impactes dos produtos: Avaliar impactes ambientais, sociais e económicos, olhando para o ciclo de vida e custos, pegada de carbono, pegada hídrica e indicadores de circularidade.
  4. Desenvolvimento e implementação de novos modelos de negócio circulares: Incorporar o produto num circuito fechado, nomeadamente com ações de reutilização ou de transformação dos resíduos em novas matérias-primas, no intuito de dar uma segunda vida útil aos produtos. O objetivo poderá ser originar um produto com o mesmo efeito ou um novo produto para implementação numa indústria diferente através de simbiose industrial.
  5. Colaborar com fornecedores e clientes: Promover a circularidade em toda a cadeia de abastecimento. A montante, trabalhar com fornecedores para reduzir o desperdício e melhorar a eficiência, procurar novas matérias-primas e processos mais sustentáveis, especificar requisitos de compras sustentáveis e rever processos de embalamento e transporte. A jusante, trabalhar com clientes para incentivar a reutilização e a reciclagem de produtos e rever o descarte de resíduos.
  6. Educar e envolver as equipas internas: Impulsionar ações de formação sobre redução de resíduos, incentivar a participação em iniciativas de sustentabilidade e reconhecer e recompensar os colaboradores pelas suas contribuições na ótica de uma Economia Circular.
  7.  Medir e monitorizar o progresso: Por fim, mas não menos importante, medir e monitorizar o processo, definindo metas, acompanhando métricas e relatando os progressos obtidos.

Seguindo estas etapas, as empresas poderão construir modelos de negócio mais circulares, o que permitirá reduzir a entrada de novos recursos nos seus sistemas de produção e diminuir os resíduos gerados no final do ciclo dos produtos. Como consequência natural, a empresa irá reduzir os seus custos de produção e de deposição de resíduos e, consequentemente, aumentar os seus lucros e a eficiência operacional.

 


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