Fale connosco
English

Nova patente do INEGI usa cortiça para reforçar adesivos usados em componentes automóveis

14 julho 2020
A tecnologia desenvolvida no INEGI para fabricar juntas adesivas graduadas, uma cola mais resistente graças à integração de partículas magnéticas, viu recentemente o título de patente concedido na Europa e Estados Unidos.

A invenção consiste num equipamento avançado que integra micropartículas de cortiça magnetizadas dentro do adesivo, para assim manipular as propriedades mecânicas e elétricas de locais específicos ao mover as partículas dentro do material. Tanto o método de magnetização das partículas como o equipamento que executa a ação são inovações inéditas, e resultam em uniões mais resistentes entre componentes

Inovação no campo dos adesivos beneficia indústria automóvel

Como explica Ana Queirós, responsável pelo projeto no INEGI e uma das inventoras do dispositivo, a ligação adesiva é uma tecnologia cada vez mais usada, com particular potencial disruptivo no setor automóvel devido à sua adaptabilidade e capacidade de unir com segurança uma grande variedade de materiais. Tem, no entanto, vulnerabilidades como a "distribuição de tensões, que por ser concentrada nas extremidades da sobreposição, resulta na falha prematuras das uniões”.

Foi a fim de superar este problema que uma equipa de investigadores do INEGI desenvolveu este equipamento e o respetivo método para fabricar juntas adesivas com propriedades mecânicas que variam gradualmente ao longo da sobreposição. "Usando micro ou nano-partículas magnetizadas, conseguimos distribuí-las de maneira não uniforme ao longo da junta, e assim reduzir as concentrações de tensão e aumentar a sua resistência”.

O método, salienta Ana Queirós, "permite trabalhar com áreas muito menores, reduzindo consideravelmente o peso da estrutura, o que é um fator chave no setor automóvel”.

Técnica para magnetizar cortiça também foi patenteada

O processo que magnetiza o pó de cortiça foi desenvolvido no âmbito de um projeto coordenado pelo INEGI, em colaboração com a Universidade Carlos III de Madrid e a Universidade Pontifícia Comillas. Também o processo, criado com a colaboração da equipa do Instituto, resultou numa patente, concedida em 2017.

Além da aplicação no campo dos adesivos para componentes automóveis, a cortiça magnetizada poderá vir a ser usada para a remoção de partículas poluentes da água. Uma hipótese que está a ser explorada pelos parceiros da Universidade Carlos III de Madrid.

O projeto MagAdhesive - Juntas adesivas graduadas com aplicação de micropartículas de cortiça é financiado pelo FEDER, ao abrigo dos programas Compete 2020 e Portugal 2020, e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).