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Materiais de construção e qualidade do ar: o que as empresas devem saber

17 março 2020

Hoje em dia, as pessoas passam cerca de 90% do seu tempo em espaços confinados, seja no local de trabalho, em meios de transporte, em casa ou em espaços de lazer. Por esta razão, a Qualidade do Ar Interior (QAI) é uma preocupação com cada vez mais relevância.

São vários os estudos que comprovam a correlação entre a poluição do ar interior e o número global de doenças na população, estando os compostos orgânicos voláteis (COVs) bem identificados como a causa de vários problemas de saúde, sobretudo do foro respiratório.

O aumento de problemas relativos à Qualidade do Ar Interior deve-se, por um lado, ao aumento de fontes de poluentes, na forma dos mais diversos produtos com que convivemos diariamente. As empresas procuram novos materiais ambicionando maior conforto, redução de ruído e poupança de energia, mas estes podem, porém, conter substâncias perigosas.

Por outro lado, com o intuito de reduzir consumos energéticos, os níveis de ventilação em espaços interiores têm diminuído. Atingiu-se uma melhor impermeabilização dos edifícios, que, aliada a baixas taxas de renovação do ar, representa um maior risco de concentração de poluentes.

Mas como proteger a nossa saúde sem implicar aumento do consumo energético e sem abdicar do conforto? Uma estratégia para o conseguir é o controlo da fonte. Ou seja, substituir materiais ou produtos poluentes por congéneres de baixa emissão.

Escolha cuidadosa de materiais deve ser prioridade

A indústria portuguesa deve estar atenta aos ingredientes usados na formulação dos seus produtos, de modo a evitar que certas substâncias perigosas se espalhem pelas nossas casas. 

Laboratório da Qualidade do Ar Interior colabora com várias indústrias nacionais e europeias no sentido de caracterizar os seus materiais de construção no que respeita às emissões de COVs, aldeídos de baixo peso molecular e COSVs (compostos orgânicos semivoláteis). 

Estes últimos são um alvo recente da legislação internacional, e as indústrias nacionais deverão estar atentas a estas mudanças. O Laboratório efetua também ensaios para caracterização do conteúdo destas mesmas substâncias em ingredientes e formulações. Nele estão incluídas substâncias cancerígenas voláteis (C1, C2 e C3), mas também mutagénicas e teratogénicas, e classificadas como SVHC (do inglês "substance of very high concern”). Estas substâncias perigosas são já alvo de um controlo apertado em países como a Alemanha, por exemplo. 

Outro aspeto a ter em atenção é a incorporação de materiais reciclados no processo de fabrico. Substâncias perigosas atualmente já banidas, ou restringidas na quantidade, poderão voltar assim a estar presentes em materiais de construção. 

O objetivo? Ajudar a indústria e as empresas a melhorar os seus produtos, tornando-os mais amigos do ambiente e das pessoas.





Artigo de Gabriela Ventura, responsável técnica do Laboratório da Qualidade do Ar Interior do INEGI