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INEGI coordena o projeto EcoTermIP que visa promover a eficiência energética dos Processos Térmicos Industriais



A Europa enfrenta atualmente importantes desafios energéticos que podem ser vistos de várias perspetivas: a estabilidade e previsão dos custos da energia; impactos ambientais e climáticos decorrentes da produção e consumo energético; segurança do fornecimento contínuo de energia no contexto político geoestratégico, relacionado com o controlo do fornecimento de energia; a capacidade de gerar investimento local e consequentemente, novos empregos; e privilegiar na inovação e nas tecnologias.

Neste âmbito o desenvolvimento tecnológico para apoio à gestão de energia térmica assume um papel fundamental. De facto, existe a tendência de equacionar a energia através da eletricidade quando esta apenas representa menos de 25% do consumo final de energia na Europa. O aquecimento e arrefecimento renovável é, no setor energético, subestimado e este facto foi reconhecido em 2011 pelo European Renewable Energy Council (EREC) na sua publicação estratégica "RE-thinking 2050”, como setor, o aquecimento e arrefecimento mantem-se como o maior contribuidor para as necessidades energéticas em 2050. O mercado do aquecimento e arrefecimento renovável, que inclui as aplicações domestica e industriais de biomassa e as aplicações solar térmico e geotérmico, vai-se desenvolver rapidamente.

Em concreto, no caso de Portugal, a promoção da eficiência energética e a utilização de energia renovável endógena é de extrema importância uma vez que não existe extração/produção de combustíveis fósseis e como tal a balança comercial nacional neste setor apresenta-se bastante desequilibrada. Esta preocupação é, ainda, mais evidente no setor industrial onde, para além de problemas relacionados com as emissões poluentes, a fatura energética é, muitas vezes, demasiado pesada tornando-se inevitável agir no que diz respeito à racionalização do uso de energia e à utilização de energias de fontes renováveis.

Assim, é fundamental otimizar e racionalizar a utilização da energia térmica nos processos térmicos industriais, promover a geração de energia térmica via fontes de energias renováveis (nomeadamente solar térmico e biomassa) e aplicar tecnologias inovadoras de recuperação de calor.

Com base nestas considerações surge o projeto designado por EcoTermIP e que visa a promoção da Ecoeficiência dos Processos Térmicos para a Competitividade e Sustentabilidade da Indústria Portuguesa nos setores da metalomecânica, cerâmica, agroalimentar de laticínios e de fabricação de produtos à base de carne.

Liderado pelo Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI) com a parceria do Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) tem como seu principal objetivo efetivar a transferência do conhecimento cientifico e tecnológico detido pelos membros do consórcio, de boas práticas, tecnologias e metodologias para a promoção da ecoeficiência dos processos produtivos. 

O projeto EcoTermIP é focado na melhoria da ecoeficiência em setores estratégicos e de interesse relevante para a economia Portuguesa, e assim a escolha desses setores recaiu sobre o setor da metalurgia e metalomecânica, cujo peso na indústria transformadora em Portugal (com base em dados do INE de 2016) é de 22% quanto ao número de empresas e de 23% quanto ao volume de negócios. O setor da cerâmica, sendo o subsetor cerâmica utilitária e decorativa com o 2º maior volume de negócios dentro do setor, concentrando um maior número de empresas, o mais empregador e um dos maiores exportadores. O setor da fabricação de produtos à base de carne, sendo o subsetor com maior volume de negócios (16%), e com mais empregabilidade (15%) na industria alimentar e por fim o setor dos laticínios, também com peso relevante na industria alimentar portuguesa.

O projeto apresenta assim grande relevância não só para os setores visados, mas também para toda a economia e para o público em geral. Embora o projeto vá priorizar o envolvimento de empresas dos setores mencionados, nomeadamente nas diferentes atividades de sensibilização e de transferência de conhecimento, os resultados do projeto, nomeadamente as recomendações com vista à promoção da utilização racional de energia térmica e integração de tecnologias com base em energias renováveis em empresas, são aplicáveis e relevantes para outros setores de atividade a nível nacional.

O INEGI e o ISQ, com o apoio da AIMMAP, ANIL, APICER e APIC, irão desenvolver nos próximos dois anos um plano de ação que contempla quatro ações que, no seu conjunto, se constituem como uma estratégia sólida de modo a dar resposta aos fatores críticos e falhas de mercado identificadas no processo de reflexão.

O projeto EcoTermIP integra na sua estrutura várias ações a que se propõe realizar, começando por um diagnóstico referencial de partida e um mapeamento geral das principais tecnologias com impacto no consumo de energia térmica de cada setor visado. 

Sendo este um projeto de transferência do conhecimento cientifico e tecnológico ao tecido empresarial, estão previstas várias tipologias de intervenção. Serão realizadas iniciativas de interação e demonstração de conhecimentos tecnológicos com vista à valorização económica, ações de disseminação e difusão de novos conhecimentos e tecnologias gerados no âmbito da I&D, ações de valorização económica dos resultados de investigação e promoção de iniciativas que potenciem a obtenção e produção de informação relevante no contexto da valorização e transferência de tecnologia, nomeadamente roadmapping e vigilância tecnológica.

A comunicação e disseminação do projeto já foi iniciada com a criação da identidade visual deste e a organização do evento de lançamento do projeto que ocorreu no passado dia 9 de abril. O projeto será ainda disseminado nos media e redes socias e com a participação em congressos e simpósios, estando também previsto para o final do projeto a realização de um seminário de encerramento.

O consórcio do projeto EcoTermIP entende que este contribuirá para valorizar a industria portuguesa, fomentando a inovação e a exploração de oportunidades tecnológicas, introduzindo novo conhecimento que contribuirá para a competitividade e sustentabilidade, devendo resultar num impacto económico positivo nos setores industriais visados, fomentando a emergência na industria portuguesa de empresas intensivas em conhecimento.