Fale connosco
English

Biometano: um passo essencial rumo à transição energética

09 abril 2024

Artigo de Lucas Marcon, investigador na área de Energia no INEGI


As imposições europeias que visam a neutralidade carbónica até 2050 e os impactos negativos das alterações climáticas tornam premente uma mudança de paradigma na utilização de combustíveis fósseis. O biometano, produzido a partir de recursos endógenos, surge como uma solução sustentável capaz de alavancar a transição energética e de contribuir para a redução da emissão de gases com efeito de estufa. Pode ser utilizado como substituto do gás natural nos setores industriais, doméstico e mobilidade

Nos últimos anos, alinhados com as políticas da União Europeia, Portugal tem feito esforços para desenvolver a economia dos gases renováveis e das energias renováveis. No entanto, a indústria do biometano ainda tem um longo caminho para percorrer rumo a uma efetiva transição energética e há obstáculos a ultrapassar no setor.

São necessários enquadramentos legais mais amplos, a simplificação do licenciamento de projetos e o fim das limitações no acesso às infraestruturas das redes de transporte e de distribuição de gás. Há também uma escassez de incentivos à investigação e desenvolvimento, bem como atrasos no desenvolvimento do mercado biofertilizante.

O INEGI tem estado envolvido em projetos que visam impulsionar este mercado a nível nacional. Apoiamos os promotores em todas as etapas, desde a produção de biogás até à sua purificação para a obtenção de biometano, abrangendo também os requisitos e especificações para o armazenamento e distribuição.

Com este know-how, o INEGI lançou a primeira edição da formação sobre "Produção e Utilização de Biometano”. Arranca a 9 de maio, em formato online, e permitirá aos formandos conhecer os processos de produção de biogás, avaliar a viabilidade económica e o impacto ambiental da produção de biometano e simular projetos.

O que está a ser feito para introduzir o biometano na matriz energética?

Portugal tem, na última década, apostado em energias renováveis como forma de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alavancar a descarbonização. No caso específico do biometano, já existe a possibilidade de injeção de gases renováveis na rede. A tecnologia da digestão anaeróbica também está disponível, mas a gaseificação de biomassa e os sistemas power-to-methane ainda carecem de um maior desenvolvimento tecnológico e amadurecimento.

O desenvolvimento do mercado do biometano para descarbonizar a economia nacional e reduzir as importações de gás natural tem merecido atenção por parte do poder político, tendo sido criado um plano de ação.

O documento define metas ambiciosas. Se os objetivos estabelecidos forem alcançados, até 2030, o biometano irá substituir 9% do consumo de gás natural em Portugal. E quase 19% até 2040.

Com estas alterações, estima-se uma redução de 44,5 milhões de euros até o fim de 2030 nos custos com as emissões de dióxido de carbono. Uma poupança de 91,2 milhões de euros até o final de 2040.

Apesar destes e de outros avanços alcançados nos últimos anos, Portugal continua a ocupar a 10º posição no ranking europeu de dependência energética. Para reverter esta situação e avançar de forma rápida com a transição energética, é crucial utilizar todos os recursos endógenos disponíveis, promovendo a descarbonização dos processos e produtos.


Páginas Relacionadas

Artigo | Gases Renováveis: Vetores chave no processo de descarbonização

Serviços | Formação Avançada

Política de Cookies

Este site utiliza Cookies. Ao navegar, está a consentir o seu uso.   Saiba mais

Compreendi