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Marinas e Portos de Recreio: tecnologias ao serviço de uma melhor gestão e maior sustentabilidade

15 novembro 2021

Artigo de Diogo Neves, responsável de desenvolvimento de negócio na área de Tecnologias para o Mar


Ao longo de 37 000 km de costa navegável, atracar em porto seguro está sempre ao alcance dos 48 milhões de europeus1que participam em atividades náuticas. Isto graças às 4 500 marinas e 1,75 milhões de pontos de amarração2 que existem em toda a Europa.

As marinas e portos de recreio são importantes pilares do turismo costeiro e marítimo, e o setor tem um volume de negócios anual superior a 45 mil milhões de euros, sendo 15 mil milhões representativos do mercado europeu3. A perspetiva para o futuro também é animadora, com uma taxa de crescimento de 6% ao ano em termos globais3.

Olhando para estes dados, é fácil concluir que as marinas são uma infraestrutura importante para um conjunto de sectores. Não só se encontram no centro da cadeia de valor entre o fabrico de embarcações e os serviços de lazer e turismo, têm também vindo a expandir serviços além do apoio à náutica de recreio.

Centros de alto rendimento desportivo, infraestruturas flutuantes para alojamento e serviços de lazer, zonas de acostagem de hidroaviões, espaços de investigação científica, são exemplos de atividade que hoje têm lugar nas marinas. Razão pela qual as marinas se afirmam como um mercado dinâmico e em crescimento.

Maturidade tecnológica das marinas e portos ainda é baixa

Este crescimento é, no entanto, ameaçado por uma estagnação a nível da transformação tecnológica. Trata-se de um obstáculo não só pela reconhecida correlação positiva entre o esforço tecnológico e o desempenho comercial, mas também pela urgência de minimizar o impacto ambiental da sua atividade.

Estudos recentes indicam que 85% das marinas e portos de recreio apresentam níveis de tecnologia bastante limitados, especialmente em relação ao exigido pela média de utilizadores 2. Além disso - apesar de observados alguns esforços no sentido de tornar a atividade mais sustentável - dependem largamente de fontes de energia que provocam elevadas emissões de carbono.

A pegada ambiental do setor é ainda exacerbada pelas descargas e contaminações químicas provenientes das embarcações, que afetam toda a vida marinha. Acresce ainda o facto de naturalmente a construção de uma marina modificar o habitat natural, causando alterações na linha costa ou curso do rio, e alterações na hidrodinâmica natural do local, incluindo o desenvolvimento urbano adjacente à infraestrutura5

Por este motivo, e considerando o crescimento acentuado do sector, é essencial (i) garantir que as marinas cumpram metas ambientais 4, (ii) considerem a inclusão social e cultural das comunidades e (iii) que atinjam sustentabilidade económica. 5.

Aceleração tecnológica contribuirá para a sustentabilidade das infraestruturas náuticas

Desafios consideráveis, é certo, mas que encontram resposta nas novas tecnologias e linhas de investigação científica, em diversos âmbitos:

  • Eficiência e transição energética
  • Transição digital
  • Resolução de problemas relacionados com assoreamento e atenuação da ondulação
  • Minimização do impacto ambiental
  • Monitorização ambiental e da vida marinha
  • Monitorização de embarcações

Estas são as áreas onde o INEGI tem vindo a atuar, de modo a inovar e modernizar as atividades marítimas tradicionais, como as marinas e portos de recreio.

Entre estas destaca-se a transição digital e o trabalho do INEGI no desenvolvimento de algoritmos de inteligência artificial, sistemas de monitorização, e sensorização. Esta abordagem de futuro pode começar por tornar remotos processos burocráticos relacionados com o check-in e outros serviços, mas também potenciar a monitorização ambiental e proteção adequada de ecossistemas e habitats marinhos.

Também a transição energética tem um papel de relevo. O desenvolvimento de dispositivos de aproveitamento de energia renovável é um dos domínios do Instituto na área de tecnologias para o mar, e a sua integração nos cais flutuantes e quebra-mares 7 promete contribuir para a independência energética (limpa!) das marinas.

A resolução de problemas associados às condições climáticas e de agitação hidrodinâmica é igualmente importante, pelo que os especialistas do INEGI também se têm focado no desenvolvido de estruturas adequadas para evitar fenómenos de galgamento e assoreamento lesivos à infraestrutura.

Estes são alguns exemplos de apostas que garantidamente vão acrescentar valor. A par destas podia ainda mencionar sistemas de monitorização com recurso a veículos não tripulados, aplicação de sistemas IoT para sistemas de amarrações, e até estabilização de parâmetros ambientas de qualidade de água através da incorporação de ilhas de vegetação (floating treatment wetland).

A transformação tecnológica tarda a chegar, mas a sua importância é evidente. O futuro das marinas passa por uma gestão que tire claro partido da tecnologia - em prol do negócio e da sustentabilidade – através do investimento em serviços mais inteligentes, energia mais «limpa», e infraestruturas mais resistentes a condições climáticas adversas.


Referências:

[1] - European Boating Industry 2021 (https://www.europeanboatingindustry.eu/about-the-industry/facts-and-figures)

[2] – ICOMIA – Recreational Boating Industry Statistics (2018) (http://skibogbaad.dk/wp-content/uploads/2019/09/sample_pages_icomia_recreational_boating_industry_statistics_2018.pdf)

[3] - Coastal and Maritime Strategy, 2017 (EU) (https://ec.europa.eu/oceans-and-fisheries/system/files/2021-03/swd-2017-126_en.pdf)

 [4] - Protecting the environment and oceans with the Green Deal (2021) – EU (https://ec.europa.eu/info/strategy/priorities-2019-2024/european-green-deal/protecting-environment-and-oceans-green-deal_en)

[5] - Rosa María Martínez-Vázquez, Jaime de Pablo Valenciano, Jose Luis Caparrós Martínez,(2021). "Marinas and sustainability: Directions for future research”, Marine Pollution Bulletin, 164, 112035, ISSN 0025-326X, https://doi.org/10.1016/j.marpolbul.2021.112035.

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