Rapidez, baixo custo e personalização - são estas as palavras-chave que caracterizam o
fabrico aditivo, também conhecido por impressão 3D. A tecnologia já era uma
mais-valia para a indústria ao acelerar o desenvolvimento de produtos e reduzindo o time-to-market, e revela-se agora um
importante trunfo no combate à crise sanitária.
Conhecendo bem a capacidade de resposta desta nova tecnologia de impressão, o INEGI, que tem especiais capacidades neste domínio, está a
desenvolver um conjunto de produtos para ajudar quem está na linha da frente de combate à pandemia, e também dar resposta às necessidades da sociedade para reduzir o potencial de contágio.
“Tendo em vista o meio hospitalar mas também o novo normal de locais onde passamos muito tempo, estamos a desenvolver componentes para ventiladores mecânicos, zaragatoas menos invasivas para os testes individuais, suportes mais eficientes para viseiras de proteção individual, dispensadores de gel desinfetante e dispositivos mãos-livres para portas e outros equipamentos”, conta Jorge Belinha, responsável pelo projeto no INEGI.
E o que têm estes produtos em comum?
O fabrico aditivo, que suportará o seu desenvolvimento e a produção de protótipos.
"Embora não seja adequada para produção em massa, a impressão 3D será usada para projetar e produzir protótipos funcionais à escala real, para serem testados e calibrados por parceiros clínicos num cenário real", conta o responsável. "Numa segunda fase, entrarão em jogo parceiros industriais para produzir em massa estes produtos através de tecnologias de moldagem por injeção, também com o nosso apoio especializado”.
Projeto nasceu por iniciativa voluntária e conta agora com financiamento da FCT
O projeto “Assisting the prevention and control of COVID-19 with 3D printing solutions” é um dos 66 que receberão financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito do programa
«Research 4 Covid-19». O concurso excecional visa financiar projetos e iniciativas de investigação e desenvolvimento, já em curso ou a desenvolver, que respondam às necessidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na sua intervenção no combate à pandemia de Covid-19.
A iniciativa do INEGI nasceu, no entanto, a partir de uma
linha de produção voluntária que em março e abril envolveu a mobilização de mais de 120 impressoras 3D, e tornou possível a produção de mais de 5 mil viseiras, posteriormente doadas a hospitais, centros de saúde, lares, IPSS’s e outras instituições similares.
Agora suportado pela FCT, o projeto
não perde o seu pendor solidário. “Pretendemos desenvolver soluções funcionais, e disponibilizá-las de modo a que possam ser impressas por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, em prol do bem comum”, afirma Jorge Belinha.
O projeto conta ainda com a colaboração do INESC-TEC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência e o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, em coordenação com a Administração Regional de Saúde do Norte (ARN Norte).