Uma
poupança energética na ordem dos 20 a 25%, com potencial
redução de custos até 3,5 milhões de euros, e até
menos 12.500 toneladas de gases com efeito de estufa por ano. São estes os números que refletem os resultados alcançados no âmbito do projeto
AQUALITRANS, que visou tornar várias ETAR (Estações de Tratamento de Águas Residuais) da eurorregião Norte de Portugal-Galiza mais eficientes ao nível do consumo energético e pegada ambiental.
Para chegar aqui, foi necessário realizar a
caracterização energética das ETAR para determinar os processos com maior peso energético e
identificar desperdícios e oportunidades de melhoria. Tarefa que, do lado de cá da fronteira, ficou a cargo da equipa do INEGI.
João Pedro Cardoso, membro da equipa do projeto, conta que "identificamos os principais consumidores, que descobrimos serem os equipamentos de arejamento associados ao tratamento biológico (valor médio de 58%), bombagem de entrada (9%, quando existente), desodorização (8%, quando existente) e equipamentos de tratamento de lamas (6%)".
Com base nesta informação, “olhando para as ineficiências encontradas, definimos um conjunto de medidas para cada uma das instalações que participaram nos projetos piloto”, acrescenta. Uma delas foi a
ETAR de Sobreiras, gerida pelas Águas do Porto, que alcançou uma
redução de cerca de 15% no consumo, ou seja, 452.000 kWh por ano.
Também aqui a colaboração do INEGI foi relevante, nomeadamente na
avaliação dos benefícios energéticos, ambientais, operacionais e económicos das medidas, como a instalação de um novo grupo de bombagem de elevação inicial mais eficiente e com variadores de frequência, e a instalação de um sistema de monitorização integrada de consumos energéticos.
CONHECIMENTO E ESTRATÉGIAS DE GESTÃO INTELIGENTE PARTILHADAS COM O SETOR
O projeto contemplou também a criação de três
ferramentas informáticas que facilitarão a replicação do sucesso obtido na eurorregião. As ferramentas, disponíveis
AQUI vão ajudar operadores a avaliar e comparar com ETAR similares o seu consumo energético, e, ainda, identificar medidas benéficas consoante os critérios ambientais, energéticos, económicos e tecnológicos das instalações.
Também com o objetivo de
transferir conhecimento e potenciar a replicação destas boas práticas, realizaram-se quatro sessões de formação dirigidas a gestores e operadores de estações de tratamento de águas residuais. Uma delas
realizou-se no INEGI, com a participação de cerca de 20 profissionais.
O projeto terminou no início deste ano, e a conclusão foi assinalada com a assinatura de protocolo de colaboração entre os parceiros - Augas de Galicia, INEGI, Águas do Porto, Instituto Enerxético de Galicia (INEGA) e Fundación Instituto Tecnológico de Galicia (ITG) - para garantir a cooperação e partilha de conhecimento e resultados futuros.
O recém-concluído projeto
AQUALITRANS arrancou em 2017 e terminou em 2020, tendo sido financiado ao abrigo do programa Interreg VA Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, que promove projetos de cooperação transfronteiriça.