Reutilizar energia térmica industrial vai ser mais simples graças a novo projeto do INEGI

31-07-2019
Grande parte dos processos industriais envolvem aquecimento ou arrefecimento de processos, o que representa mais de metade do uso total de energia no setor industrial. No entanto, estima-se que 20 a 50% se perca na forma de gases de escape ou vapor. Recuperar e reaproveitar esta energia desperdiçada pode ter vantagens económicas e ambientais, mas nem sempre é um processo fácil para as empresas.

Para melhorar este contexto arranca em setembro um novo projeto europeu coordenado pelo INEGI, com o objetivo de criar uma plataforma para a simulação de cenários de recuperação, conversão e distribuição do excesso de energia térmica industrial.

Reunir num só local a informação - desde as mais recentes tecnologias, a modelos de otimização energética e cálculo de custos e benefícios - permitirá aos stakeholders de várias indústrias explorar e avaliar, de forma autónoma, as soluções possíveis para rentabilizar a energia em excesso, e reduzir o tempo necessário à realização de estudos de viabilidade técnica e económica.

A recuperação e reutilização do excesso de energia térmica pode ter inúmeras vantagens”, salienta Zenaida Mourão, coordenadora do projeto e investigadora no INEGI. “Numa perspetiva económica, pode ser um importante vetor para a eficiência energética e consequente rentabilidade financeira. Mas não só: também a nível ambiental é fundamental, já que 80% desta energia é de origem fóssil”, explica.

A reutilização desta energia pode passar pela sua reaplicação no mesmo processo, noutros processos da mesma fábrica, mas também fora do local de produção original, noutras indústrias ou em edifícios comerciais e domésticos, constituindo uma potencial fonte de receita.

Apesar dos benefícios, a implementação deste tipo de soluções nas empresas é condicionada pela complexidade dos processos térmicos industriais, pelo desconhecimento das tecnologias disponíveis, e pela falta de recursos humanos e técnicos para levar a cabo uma análise abrangente e determinar as opções mais rentáveis. Também a dificuldade em estabelecer parcerias, devido à fraca visibilidade e diálogo limitado entre empresas e entidades, é apontada como um obstáculo.

Para ajudar a indústria a ultrapassar esta barreira, o projeto EMB3Rs junta 16 parceiros - empresas, instituições de I&D e entidades públicas - de oito países europeus (Portugal, Áustria, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Holanda, Suécia e Reino Unido).

A solução que o consórcio propõe desenvolver assenta numa plataforma online, de acesso aberto (open source) e colaborativa. Com esta ferramenta “será possível simular vários cenários, determinar os custos e benefícios das diferentes tecnologias e rotas de utilização, e definir as condições de implementação necessárias para as soluções mais promissoras”, avança Zenaida Mourão.

Além da coordenação, o INEGI será responsável pela "definição de requisitos e modelos para a caraterização das opções de recuperação de calor" a disponibilizar na plataforma, adianta a investigadora.

Posteriormente, o INEGI irá levar a cabo estudos de caso práticos, “nos quais irá prestar assistência na caracterização do calor/frio em excesso disponível em parceria com a CIMPOR e a Climaespaço, e apoiar a escolha das soluções indicadas pela plataforma como mais adequadas para estes casos”. Esta fase, explica a coordenadora do projeto, incluirá ainda uma iniciativa conjunta com a Agência para a Energia (ADENE) para "mapear e caracterizar a energia térmica industrial em excesso disponível a nível nacional, passível de ser rentabilizada em sistemas energéticos locais".

O projeto EMB3Rs é financiado pelo programa europeu Horizonte 2020.

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