Criação de novos biocombustíveis no âmbito de projeto transfronteiriço

04-03-2019
Chama-se Biomassa-AP e tem como objetivo principal desenvolver novos biocombustíveis a partir da biomassa procedente de restos da poda florestal, arbustos, vinhas e produção de kiwi. O projeto é promovido por um consórcio que conta com a participação do INEGI, que já realizou os primeiros ensaios com os novos biocombustíveis.

As matérias-primas em causa eram pouco valorizadas, apesar de serem abundantes na eurorregião Norte de Portugal-Galiza e possuírem um enorme potencial energético e económico. Razão pela qual galegos e portugueses se juntaram para aplicar metodologias e tecnologias inovadoras a fim de viabilizar uma valorização energética otimizada deste tipo específico de biomassa.

Como explica Aida Sanches, investigadora do INEGI, “o projeto revela-se de uma enorme importância como meio de aumentar a competitividade desta eurorregião e de promover a transição para uma economia circular, dado que, atualmente, os resíduos não são aproveitados e têm elevado potencial de valorização energética”.

O papel do INEGI no projeto prende-se com a otimização dos sistemas de densificação e aditivação dos novos biocombustíveis, a validação da sua utilização como combustível, ao mesmo tempo que se procura identificar oportunidades de desenvolvimento das tecnologias utilizadas.

O projeto arrancou em 2017 e o INEGI já apresenta resultados. Vítor Ferreira, um dos investigadores do INEGI que integra o projeto, conta que “já se realizaram os primeiros ensaios de densificação da poda de vide e de kiwi”, que permitiram concluir que “os briquetes produzidos com poda de vide apresentam um melhor desempenho ao nível de resistência mecânica e em pré-ensaios de combustão”.

Já para a validação da utilização dos biocombustíveis, a equipa realizou ensaios de combustão com as espécies já densificadas, numa caldeira doméstica de 24 kW, e constatou que ambas as espécies apresentam resultados satisfatórios em termos de eficiência térmica e de higiene de combustão. Os testes revelaram, no entanto, que as cinzas, ou seja, o teor de material não queimado, é um pouco superior ao das briquetes comerciais, podendo vir a ser uma desvantagem.

A equipa do INEGI vai agora produzir briquetes com outras espécies florestais, e fazer a comparação entre espécies não aditivadas e aditivadas. Entre os próximos passos está também a validação da utilização dos biocombustíveis desenvolvidos em sistemas de gasificação de biomassa.

O projeto, cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), tem também como objetivo aumentar a competitividade das empresas agrícolas e florestais da eurorregião Norte de Portugal-Galiza, e gerar emprego através da criação de novos produtos.

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