Braço de suspensão mais leve produzido com vários materiais (híbrido)

13-03-2019
O projeto LaTCh II resultou na produção de um braço de suspensão para um automóvel elétrico reforçado com fibra de carbono unidirecional contínua de matriz termoplástica. Trata-se de um componente 44% mais leve que o braço de referência em aço, produzido através de novas tecnologias de fabrico com base na estampagem a quente e sobreinjeção.

“A necessidade de reduzir o peso dos veículos para aumentar a sua eficiência energética é inequívoca, num contexto em que a legislação sobre emissão de CO2 é cada vez mais rigorosa. No entanto, a mudança de paradigma para o uso de materiais leves depende do desenvolvimento de processos que não representem um diferencial de custo significativo”, explica Rui Gomes, responsável pelo projeto no INEGI.

Uma vez demonstrada, através do projeto LaTCh, a viabilidade técnica da produção de componentes mais leves, de desempenho igual ou superior comparativamente com os seus congéneres metálicos, o projeto LaTCh II pretendeu reduzir o número de operações necessárias à obtenção do componente final, chegando a um processo one-shot.

Nesse sentido, a iniciativa promoveu a convergência das tecnologias de estampagem a quente e sobreinjeção numa única etapa, através de uma ferramenta montada na máquina de injeção, capaz de estampar o compósito de matriz termoplástica e sobreinjetá-lo de seguida. Este processo permite a redução do número de equipamentos, ferramentas e recursos humanos necessários para a produção, o que resulta em cadências mais altas e custos competitivos.

O projeto provou ainda a viabilidade da utilização deste tipo tecnologias para materiais compósitos em componentes de maior complexidade, uma vez que o produto alvo – braço de suspensão para automóvel elétrico do tipo MacPherson – incluiu elementos metálicos, constituindo um produto híbrido.

O LaTCh II ficou concluído no final de 2018 depois de, ao longo de três anos, ter englobado o estudo de materiais e a otimização estrutural para desenvolvimento do produto, a implementação de novos processos de fabrico e a criação de protótipos. Em todo este percurso, o INEGI contou com a parceria de três empresas: a Moliporex, a MCG e a Cadflow. De acordo com Rui Gomes “a diversidade e a complementaridade das entidades envolvidas foram fundamentais para que se reunissem as condições necessárias ao cumprimento dos objetivos propostos”.

Finalizado o projeto com sucesso, perspetiva-se, a longo prazo, a possibilidade de rentabilização comercial dos resultados, materializados num produto competitivo. Espera-se ainda que o LaTCh II contribua para uma mudança de paradigma no setor automóvel, através do desenvolvimento de produtos de alto valor acrescentado, com recurso a materiais compósitos de matriz termoplástica.


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